Todos que me conhecem sabem muito bem que sou noveleiro confesso. Sempre que estou em casa eu assisto, não sou daqueles inveterados que param tudo o que estão fazendo ou gravo os capítulos, mas, gosto muito mesmo.
Todo brasileiro é um pouco noveleiro e por isso muitos saberão do que estou falando. Essa trama da Rede Globo parece que não tem nada de bom para apresentar às nossas famílias, sobretudo, àqueles que estão com o seu caráter em formação. Quando você pensa que um personagem é integro, eis que aparece algum traço de maldade ou mesmo algum erro do passado.
Dentro os personagens destacamos, talvez, como o vilão mais árduo o personagem Félix Khoury interpretado de forma magnifica pelo ator Matheus Solano. Félix é rico, gay, corrupto, odeia a irmã, detesta a pobreza, tentou matar a filha da irmã no passado, tentou matar um personagem, internou a irmã numa clínica psiquiátrica que utilizava métodos violentos, financiou o sequestro da filha da irmã, e ainda deve ter mais uma dezena de coisas que não me recordo. Ou seja, tudo o que não presta na cabeça da sociedade brasileira que vive se mascarando atrás de um modelo conservador. (só estou dizendo isso por causa da orientação sexual do personagem!)
Porém venho reparando muito em outro personagem. César Khoury, pai de Félix, e interpretado pelo excelente Antônio Fagundes. Ouso afirmar que este é o ponto central da trama, César é o motor de toda a maldade do filho e dos demais personagens que o circundam. Tudo foi gerado por ele. Tudo é provocado por ele!
“Tu és fruto do meio” disse o filósofo francês Jean-Jacques Rousseaut. Sendo assim, Félix é fruto de toda a maldade dos seus pais. Sobretudo de César, que desde sempre o rejeitou, o chamou de afetado, o culpou pela morte do irmão “hétero” pelo simples fato de ter chorado quando ainda era um bebê, gerando desatenção na babá que não viu o irmão se afogar. César ainda contratou uma meretriz que era a sua cortesã para seduzir e casar com o filho na tentativa de torna-lo heterossexual, fazendo até mesmo o filho assumir ser pai de um filho que era seu irmão na verdade.
Não quero, contudo justificar a maldade em precedentes externos. Pois vocês poderão dizer-me: muita gente passa por coisas piores e nem por isso tornam-se assassinos. De fato, vocês estão certos, mas cada pessoa dá uma resposta diferente a cada situação vivida. Félix somente queria o amor do pai que desde sempre lhe fora negado. E por esse amor Félix foi capaz de tudo. Como ele existem outros muitos Félix por aí, não sejamos jocosos e superficiais em apenas apontar para o aspecto sexual. A orientação sexual não imprime caráter, pois se o fizesse somente os gays seriam presidiários.
Mas então o que essa novela tem de bom? Justamente esse alerta sobre a crise familiar que vivemos na contemporaneidade! Não vivemos em famílias perfeitas! Pais aceitem os vossos filhos ainda que eles não sejam o que vocês quisessem que eles fossem. Se tu não conseguiu ser aquilo que desejou, não imponha à tua prole esse fardo, pois, teus sonhos são teus sonhos e os deles serão os dele! Dialogue, converse, orienta, mas, acima de tudo seja o exemplo do teu filho, pois, autoridade não se impõem, mas , sim é conferida por aqueles que o reconhecem como tal.
Urge, portanto, a redescoberta da mesa! Essa é a minha proposta. Devemos redescobrir qual é o lugar da mesa na família moderna. Onde nos sentaremos todos juntos, em família, para ouvir e falar. Rir e desabafar. Sonhar, planejar, contar piadas, beber um bom vinho ou um simples pão com margarina e café com leite. Onde está, antes da mesa, o lugar da família em nossas vidas?
por Adielson Agrelos



Nenhum comentário:
Postar um comentário