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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

O Centrão e a direita atacam quem constrói este país: o povo trabalhador

 

A ideia de que o Centrão se tornou “credor” de Jair Bolsonaro e agora estaria “se vingando” de adversários políticos desvia o olhar do essencial: esse bloco de poder nunca atuou contra um partido específico, mas contra o povo brasileiro. A cada articulação de bastidor, a cada chantagem institucional, a cada pacto fisiológico, o alvo não são legendas — são trabalhadores que veem seus direitos, serviços públicos e condições de vida serem corroídos por um sistema que opera acima do interesse coletivo.

O Centrão não é moderador entre forças políticas. É um conglomerado de elites regionais que se estabiliza pelo fisiologismo, pelo clientelismo e pelo controle das verbas públicas. Quando esse grupo sabota políticas sociais, congela investimentos, destrói programas que beneficiam a maioria ou paralisa iniciativas de fortalecimento do Estado, quem paga a conta não são políticos, mas o povo que depende do SUS, da educação pública, do transporte, de políticas de moradia e da renda mínima.

Os ataques da direita e da extrema-direita seguem essa mesma lógica: enfraquecer os que vivem do trabalho e fortalecer quem lucra com a desigualdade.

A relação de Bolsonaro com o Centrão nunca foi um enfrentamento real. A suposta rebeldia contra a “velha política” foi apenas um personagem de campanha. Ao assumir o poder, Bolsonaro mostrou sua verdadeira identidade: representante das elites econômicas e de grupos privilegiados, comprometido com políticas que precarizam o trabalho, desmontam o Estado e beneficiam os já beneficiados.

Seu governo acabou com a política de valorização real do salário mínimo — que há anos garantia reajustes acima da inflação — e passou a conceder apenas correção inflacionária, sem ganho real. Essa decisão atingiu diretamente milhões de brasileiros, especialmente aposentados e pensionistas que recebem exatamente o piso. Estudos da Unicamp mostram que o rendimento real médio da população recuou, com 2021 marcado como um dos piores resultados da série recente.

A retração do investimento público também foi profunda. Setores essenciais sofreram cortes, resultado de uma estratégia de compressão de gastos que reduziu a capacidade do Estado de agir, investir e proteger. Com isso, o país perdeu dinamismo econômico, enfraqueceu políticas sociais e agravou desigualdades. Ao mesmo tempo, o governo acelerou a venda de ativos públicos em condições desfavoráveis, reduzindo o patrimônio nacional e fragilizando a soberania econômica.

Enquanto isso, Bolsonaro usou estruturas do Estado para favorecer aliados, interferiu em órgãos de controle, promoveu nomeações políticas estratégicas e tentou blindar a própria família. A defesa do interesse público foi substituída por uma lógica de autoproteção e lealdades pessoais.

Por isso, a aproximação com o Centrão nunca foi uma contradição — foi coerência. O pacto entre Bolsonaro e o bloco fisiológico não produziu benefícios para o país. Criou uma máquina de trocas, blindagens e barganhas que drenou recursos, destruiu políticas públicas e aprofundou desigualdades. Agora, quando o Centrão apresenta sua “fatura” ao ex-presidente, não está punindo um adversário. Está reafirmando seu papel histórico como instrumento de poder que opera contra o povo e em favor de interesses privados.

O Brasil real — o que acorda cedo, pega ônibus lotado, enfrenta filas em hospitais, vive com salário apertado e paga impostos pesados no consumo — sofre todas as vezes em que o poder se organiza assim. A cada sabotagem à democracia social, a cada ataque aos serviços públicos, a cada acordo feito em silêncio, é o trabalhador que perde.

Por isso, é preciso dizer com clareza: o dilema político do país não é disputa entre partidos, mas um sistema capturado por interesses que se alimentam da desigualdade. O Centrão e seus aliados não são credores de ninguém — são devedores históricos do povo brasileiro. Se existe alguma vingança em curso, ela não é contra grupos políticos; é contra o Brasil que trabalha, produz e sustenta esta nação.

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