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| O que era um rua com casas, tornou-se rio! |
Minha
primeira atitude foi entrar na internet para saber o que tinha acontecido ou
buscar algo. Como não sabíamos o que era suspeitávamos que fosse a represa do
Xerém que tinha se rompido. E para minha surpresa vi a Sra. Tatyane Lima,
primeira dama, on line numa rede social. Depois de pensar que aquilo era algo
estranho enviei-lhe uma mensagem sobre o que as pessoas falavam que estava
acontecendo em Xerém e a mesma me respondeu dizendo que a Defesa Civil e o
prefeito já estavam no local. Pronto! A coisa era muito grave!
Depois
disso, e diante da minha impotência, tentei localizar aqueles que conhecia e
que moravam perto do local do desastre. Consegui localizar todos. A noite virou
dia, as noticias aumentavam e a angustia crescia. Não dava para ficar parado em
casa enquanto aqueles que amava estavam sofrendo. Após localizar a última
pessoa que faltava, arrumei minha mala e parti para Xerém.
Cheguei lá
poucas horas depois do desastre e o que vi foi pura destruição. Incerteza,
incredulidade. E tantos outros sentimentos. Ninguém entendia o que estava
acontecendo. Muita gente já estava por lá. O poder público já estava lá trabalhando.
Havia luzes em meio às trevas. Muita gente querendo ajudar e não sabíamos o que
dizer. Não sabíamos de nada! Na verdade não estávamos entendendo nada como
disse acima. Encontrei na sala da casa paroquial meu amigo Alex e sua família,
que se encontravam naquele momento desalojados. A parte debaixo da sua casa,
onde mora o pai, fora tomada pelo rio e a de cima estava sob o risco de ser
engolida por um morro que cedia. Quero me deter um aqui, pois creio que essa
casa sintetiza o que houve em Xerém. Desastres naturais podem até ser normais,
mas tem muita coisa errada! Não me adentro no dado histórico, deixo para quem é
especialista na área. Mas o rio invadiu porque foi açoriado e as suas margens
desmatadas; o morro cedeu porque desmataram e para a construção de uma
rodoviária inútil explodiram uma rocha! Eu te pergunto companheiro: foi o pobre
que fez isso? Não, não foi! E agora o sujeito quer posar de bom moço, o sujeito
não, os sujeitos! Operando máquina... sujando a própria roupa de lama...
enfim... Mas uma vez digo, não posso falar sobre o dado histórico, por que o
pobre foi morar na beira do rio. Creio que foi porque fora expulso do grande
centro para instalação da burguesia e cada vez mais expulso para as regiões
periféricas não tinha onde morar.
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| O que sobrou de uma casa e de uma família |
O cenário
era terrível! O nível da água chegou a ultrapassar o teto de muitas casas e se
pensando que estas estavam a 10, 15 metros da margens e que a altura do rio
para a superfície era de 3, 4 metros... o volume de água foi imenso. Na parte
baixa do Café Torrado ruas deixaram de ser ruas, casas sumiram. A cena que mais
me marcou foi ao visitar o amigo Henrique, que teve sua casa tomada, encontrei
o que era uma casa, na verdade não tinha nada. E somente três cruzes fincadas
na terra.
Tenho muita
coisa para dizer, mas penso, o que vale dizer? Ainda assim quero destacar,
mesmo sem nada valer. Leia quem quiser. Desculpem-me o azedume da escrita.
Estou assim por que vi que quem muito fala, pouco faz! É isso mesmo! Vi muita
gente colocando em suas redes sociais #SOSXerém #SalveXerém #ForçaXerém, gente
emitindo cartas, pedindo coisas. E não fazendo nada! Gente que muito fala e não
faz nada! Grandes ideólogos que os chamo de verborratas! Despejam teorias,
despejam utopias que não servem de nada! Na verdade divagam sobre tudo e todos!
Sepulcros caiados! E por terem status ou poder de liderança acabam arrebanhando
pessoas em suas psicopatias.
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| Não é preciso ser GRANDE para ser voluntário! |
Aprendi
nesses dias que solidariedade não tem tamanho, idade, cor ou classe social. Mas
sim habita num coração inquieto que deseja ver o bem do outro. E não apenas num
arrobo de altruísmo vai lá doar uma roupa usada, suja e rasgada. E até mesmo
alimentos vencidos!
Agora é
hora de calcular as perdas... casas, bens e VIDAS. Sabemos que muitos se foram,
embora a mídia não divulgue, pois, diferente deles nós os conhecemos. Eles não
voltaram para as suas casas. Serão indigentes sepultados sob o solo do Xerém.
Temos que ajudar ao povo de lá a se organizar, até por que já se organizam, a
formar uma comissão para garantir a dignidade daquela gente na reconstrução do
bairro. Para que eles, assim como o nome do local, não sejam os descartados. Os
milhos quebrados que não passam na peneira!
por Adielson
Agrelos




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